“Música permite diálogo entre mundos distantes”

Professor foge do modelo tradicional para semana jurídica e chama DJ da banda O Rappa para debate sobre direitos humanos.

Por Bernardo Gomes Barbosa Nogueira

 

 

Nossa experiência foi construída com a ideia interdisciplinar de unir direito e música. O coordenador [da Escola de Direito e de Comunicação do Centro Universitário Newton Paiva, de Belo Horizonte (MG)] Emerson Luiz de Castro me convidou a organizar a Semana Jurídica, uma atividade tradicional em todos os cursos de Direito. No entanto, sempre achei esses eventos esvaziados de sentido por força de palestras quase nunca interessantes. O modelo deveria ser repensado. Então surgiu a ideia de realizar uma Semana Jurídico-Cultural, em que haveria inserções artísticas, como shows e teatro, em meio à programação jurídica propriamente dita. 

A ação ia ao encontro da minha pesquisa de doutorado sobre direito e literatura, cujo diálogo não se resume aos romances. É uma abertura de horizonte na formação do jurista, que lhe garante vivência mais humana e menos técnica. A sensibilidade artística permite o diálogo entre mundos por vezes distantes, como a academia e as classes menos favorecidas. 

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Promovemos uma discussão com o DJ Negralha, músico da banda “O Rappa”, que tem canções ligadas a direitos humanos. A atividade teve a presença de professores e 380 alunos. Desde a organização do palco, tentamos quebrar com a metódica comum aos eventos jurídicos. A intenção era mostrar que o conhecimento não carece de metódica pré-estabelecida, e importa muito mais tocar a individualidade do que passar conteúdo sem expressão sensível. 

Entre uma apresentação e outra, discutimos tanto os temas das canções como a necessidade de inserção social pela arte. Eu mesmo preparei um texto que conversou com as músicas tocadas. Os assuntos como raça, cor, gênero, pobreza, crimes, atuação da polícia e marginalidade já são de nossa grade curricular normal, mas sentimos que falta nos alunos a sensibilização, que vem com a prática. Após um primeiro set de canções, houve o primeiro diálogo com os alunos e perguntas aos montes. Depois, outro set, e mais perguntas.

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Como sempre afirmo, não há conhecimento compartimentado. Levar ideias com metodologias não-ortodoxas e linguagens distintas nos alinha a um pensamento de que o aluno deve desenvolver sua habilidade particular. Se não oferecemos possibilidades e encerramos o conhecimento na didática da sala de aula, uma parcela dos alunos não será atingida. A música e a arte são universais e essa união busca trazer para dentro do saber o maior número de alunos. Entendo que conhecimento é estar sensível ao novo. Essa prática traz o novo e, ao mesmo tempo, faz com os alunos percebam que o que está em sala está no mundo. Isso, no direito, é imprescindível!

 

 

 

 

 

 

 

Via Por Vir

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