Depois dos millenials, os edges

edge

A parte Interactive do SXSW acabou e mesmo no seu último dia ainda tive a surpresa de ver algo novo que ainda não havia surgido nas discussões anteriores, o perfil da nova geração que vai seguir os millenials: a edge.

Os millenials ainda são tema de diversas talks por aqui. Mais que tema, eles são a maioria aqui, como participantes, palestrantes, expositores etc. É a geração que viveu todo o boom tecnológico, valorizou o empreendedorismo, redefiniu valores de trabalho, da economia. Uma geração que cresceu num mundo onde as possibilidades eram infinitas, eles podiam ser tudo, fazer tudo. E muitos fizeram. Todas essas possibilidades trouxeram também algumas questões. Os milleninals são considerados a geração com maior nível de stress, inventaram a crise dos 25 anos, e são classificados, por alguns, como takers: pessoas que pegam o que querem e acreditam que tudo deve estar disponível para elas.

Mas vem vindo uma nova geração de jovens, que, segundo Ian Pierpoint, da Sound UK, tem um perfil bastante diferente dos millenials. Os edges começaram a ser estudados há não muito tempo. Essa geração cresceu num cenário bem mais complexo que os millenials, um mundo em crise econômica e de valores.Um mundo onde as possibilidades se tornaram mais limitadas, os modelos de sucesso não são tão simples, a tecnologia é default.

Num papo que misturava características de comportamento e impacto delas na indústria do entretenimento, alguns dos pontos que me chamaram atenção:

1) Valor do Trabalho – Os edges são uma geração que resgata o valor do trabalho duro. Por terem crescido numa economia muito mais instável, não acreditam no sucesso fácil, e nem na fama overnight. Não há sucesso sem hard work, para que seja sustentável no longo prazo. Eles também estão redefinindo o conceito de achievement, porque tem expectativas mais baixas.

2) Paying the Price – Porque eles valorizam o trabalho, reconhecem o valor da produção e por isso são muito mais predispostos a pagar por conteúdo.

3) Accelerated Adulthood – Ao contrário dos millenials que ficaram conhecidos por sua juventude estendida, os edges amadurecem mais rápido. Eles são mais cínicos, mais conectados à realidade, mais desconfiados.

4) “Tech is a tool, not cool” – Eles têm uma relação muita mais simples e integrada com tecnologia. A tecnologia não os surpreende mais. Navegam pelas telas de maneira orgânica.Também ligam menos para a exposição da vida, e preferem redes como o Snapchat, onde as coisas somem e não ficam numa timeline. Acreditam que é muito mais autêntico, mais vida real. Não precisam da aprovação do grupo, dos likes. Preferem viver o momento do que simplesmente postá-lo.

5) Survivals – É uma geração que acha que terá de consertar o mundo quebrado pelas gerações anteriores. Mas para isso, acreditam mesmo no trabalho e tem mais disposição para fazer diferença. Se os millenials criaram consciência, segundo Ian, essa será a geração que vai “walk the talk”.

Agora é ficar de olho nesses novos jovens. Especialmente porque, talvez no Brasil, as gerações tenham um certo gap de anos, e ainda estejamos vivendo uma juventude muito mais sob a influência millenial. Mas depois dos protestos do dia 15/3, da crise política e de confiança que estamos, acho que vamos ver os edges logo, logo por aí.

Via Grupom

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