No setor de telecomunicações, analistas apostam em TIM; Oi é menos indicada

Após período agitado, as notícias em torno do setor brasileiro de telecomunicações esfriaram e a expectativa de consolidação do segmento foi deixada para o médio prazo. No ambiente atual, a TIM é a maior aposta dos analistas, Telefônica continua como uma empresa sólida para investir e Oi coleciona recomendações de venda. A indústria de telecom no Brasil está em uma grande encruzilhada com as receitas migrando do segmento de voz para o de dados. O último, no entanto, demanda investimentos muito mais intensivos.

Como resultado, as companhias que vão prosperar com o passar do tempo devem ser aquelas que investem mais, como a TIM, na opinião do J.P. Morgan. Por outro lado, empresas com desembolsos menores, como a Oi, só devem se desenvolver com a consolidação do setor. Nesse processo, grandes competidores estão se tornando maiores. A América Móvil, dona da Claro, está crescendo via ativos a cabo, a Telefônica, dona da marca Vivo, anunciou a compra da GVT e a TIM tem condições de aumentar os investimentos em suas operações. A Oi, por outro lado, não pode financiar um aumento no capex devido a sua alta alavancagem.

“Como a Oi está focada no seu fluxo de caixa em vez de desenvolver a rede, a lacuna em infraestrutura deve aumentar. Isso leva a uma ambiente melhor aos demais competidores, elevando as margens de lucro ao longo do tempo e permitindo o aumento na participação de mercado”, afirmam os analistas Andre Bagio e Marcelo Santos, do J.P., em relatório.

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) mantém a recomendação de compra para a TIM mesmo diante das incertezas sobre a consolidação desse mercado. Na visão dos analistas Mauricio Fernandes e Rodrigo Villanueva, o ambiente competitivo sugere potencial de alta nos resultados, o valor da companhia (“valuation”) parece razoável e os aportes maiores podem elevar as receitas e Ebitda da tele. O preço­-alvo do banco para as ações da TIM é de R$ 14, alta potencial de cerca de 33%, em relação ao fechamento de quinta-feira.

O J.P.Morgan também tem recomendação de compra para a TIM, com preço-alvo de R$ 13,50, potencial de alta de 28,5%. A indicação tem como base a tendência de melhoria operacional, falta de exposição no segmento fixo, que enfrenta ritmo de baixa, e possibilidade de venda da empresa, embora assuma que a chance é limitada no curto prazo. O Itaú BBA, o Morgan Stanley e o Credit Suisse têm recomendação neutra para TIM. A Oi tem a pior colocação do segmento, com três recomendações de venda.

Apesar da alienação dos ativos portugueses à Altice, o fluxo de caixa esperado para a tele em 2015 é negativo em cerca de R$ 2 bilhões. Uma das principais razões para o Credit indicar venda para a Oi é o balanço alavancado. Enquanto a alienação dos ativos portugueses melhora a posição de caixa e reduz o nível de endividamento, também remove uma fonte importante de geração de caixa. O resultado, diz o banco, é apenas uma redução moderada da alavancagem.
A Telefônica é vista como uma empresa de alta qualidade no setor, mais resiliente à volatilidade do ambiente macroeconômico. A posição no segmento fixo deve ser completada pela aquisição da GVT, considerada uma das melhores operadoras de linha fixa do país, na opinião do Credit. A presença geográfica complementar da companhia adquirida deve permitir que a Telefônica ofereça pacotes fora do Estado de São Paulo, combinando serviços móveis e fixos.
A casa de análise afirma ainda que os bons fundamentos da Telefônica derivam do crescimento sólido de dados móveis, aumento da participação de mercado de pós-­pago, melhora potencial nos negócios fixos com a GVT, o forte fluxo de caixa e pagamento de dividendos. Com a provável conclusão da compra da GVT no curto prazo, as estimativas de resultados serão muito sensíveis à execução da combinação dos negócios e da capacidade de capturar das sinergias, diz o Credit.
O conselho de administração da Telefônica Brasil aprovou recentemente uma oferta subsequente de ações ordinárias e preferenciais. O aumento de capital, incluindo lotes suplementar e adicional, gira em torno de R$ 20,55 bilhões.
No geral, o Credit destaca que o setor de telecom é relativamente defensivo no cenário macroeconômico desafiador que o Brasil enfrenta atualmente.

Uma alta nas ações, no entanto, precisaria de um catalisador ­- como a consolidação desse mercado -­ e essa possibilidade não deve se concretizar no curto prazo.

O mercado brasileiro já passa por processo similar ao que aconteceu na Europa, com as companhias se unindo para criar ofertas integradas de pacotes de serviços completos e investir de maneira mais eficiente. O evento mais recente foi a compra da GVT pela Telefônica Brasil, por € 7,45 bilhões no terceiro trimestre de 2014. Enquanto o segmento fixo caminhou, a tão esperada consolidação do negócio de dados parece ter ficado para um segundo plano.
“Enquanto ainda acreditamos que um negócio irá eventualmente acontecer, estamos céticos de que uma grande transação será anunciada nos próximos seis meses. Apoiando essa visão, o presidente da Telecom Italia afirmou no início deste ano que uma fusão entre TIM e Oi não faz sentido no momento e que a TIM está preparada para seguir sozinha”, explica a equipe do Credit.

O desmembramento da TIM, cenário considerado no passado como o mais provável, parece ser muito difícil de acontecer, afirma esse banco. Embora a posição oficial da Oi é de ser protagonista no processo de consolidação e a venda dos ativos portugueses poderia financiar uma oferta pela TIM, o Credit acredita que o balanço da Oi representa um entrave significativo à aquisição da concorrente.

Se a consolidação acontecer, o que é esperado pelos analistas no médio prazo, uma fusão entre a TIM e a Oi é o cenário mais provável. A TIM demonstrou interesse em ativos fixos ao fazer um lance pela GVT e, ao mesmo tempo, a Oi está claramente buscando a consolidação do mercado para melhorar a sua situação operacional e financeira. Uma oferta da TIM para comprar a Oi seria uma solução favorável, dizem os especialistas.

Via Valor

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