Web celebs vs. broadcast celebs

Por Marcello Magalhães

De uns seis meses para cá, uma grande mudança no cenário das celebridades midiáticas tem chamado minha atenção e alguns eventos foram simbólicos para que eu pudesse constatar essa transição dos perfis das celebridades.

Há cinco meses, visitei aqui em São Paulo a Brasil Game Show (BGS) – a maior feira de videogames do Brasil –, que foi uma ótima oportunidade para acompanhar meu filho de 12 anos e meus sobrinhos que, neste caso, seriam meus principais guias para compreender mais a fundo este apaixonante mundo dos games. Hoje, este mercado representa 1,2 bilhão de games e movimenta aproximadamente US$ 75 bilhões no mundo (no Brasil, o tamanho do mercado de games é de US$ 1,4 bilhão e cresce a uma impressionante média de 13,5% ao ano – é o 11º maior mercado mundial, de acordo com dados da PwC e New Zoo Institute).

Entre stands e palestras sobre gaming o que realmente prendeu minha atenção foram as aglomerações instantâneas em torno de personalidades, atrás de autógrafos e selfies. Entretanto, no lugar de músicos ou artistas, outros garotos eram cercados por centenas de fãs. Quando perguntado sobre quem eram, meu filho disparava sem hesitação – “é oZangado, pai, ele tem um canal sobre o MineCraft com mais de 2 milhões de seguidores” – coisa de millennials?
Este Carnaval também trouxe um certo alvoroço da imprensa em torno de um novo grupo de celebridades: as assediadas blogueiras de moda, como Camila Coutinho, Lalá Rudge, Thássia Naves, entre outras, que geraram muita notícia e chamaram a atenção da imprensa. Muitas tornaram-se canais oficiais sobre a moda nos camarotes do Rio e de Salvador. Algumas “deixaram de ser meio e tornaram-se a própria mensagem”, ao tomarem o espaço que antes era reservado exclusivamente a atrizes globais e músicos, ao serem convidadas como destaques para desfilar na Mangueira.
Algumas semanas depois, durante a cerimônia de premiação do Oscar, chamou-me a atenção o protesto das atrizes de Hollywood que pediam aos entrevistadores que abordassem assuntos mais amplos em suas entrevistas, muito além dos seus vestidos milionários – #ASKHERMORE. Seria este um pedido para que a imprensa e o público em geral busquem um conteúdo disponível, que vá muito além da mera visibilidade e da imagem dessas celebridades, para fazer frente ao sucesso das web-celebs como as blogueiras?

Por fim, foi no SXSW que a minha ficha realmente caiu (ou eu deveria dizer que “eu me loguei”?), tamanha a quantidade de debates e palestras sobre gestão das redes sociais. Algo que, há mais de 15 anos (!), quatro autores já discutiam no seminal The ClueTrain Manifesto, que posteriormente tornou-se um livro[1] bem à frente de seu tempo: “Os mercados são conversas”, diziam eles, antecipando mudanças de comportamento que vemos todos os dias.

O fato é que as pessoas simplesmente não se interessam mais apenas pelo que chama a atenção. Elas estão famintas por troca, conhecimento e informação imediata em diversas áreas, das dicas de construção de um castelo medieval no MineCraft às tendências e coleções de um determinado estilista francês. As pessoas estão valorizando e seguindo outros indivíduos que são capazes de aportar conhecimento ou entretenimento de relevância direta para suas vidas. Hoje, isto é tudo o que importa, de verdade.

Enquanto as tradicionais celebridades do broadcast sempre conquistaram a visibilidade e a atenção da imprensa, existe um novo grupo de personalidades na web que desloca exércitos de seguidores e a atenção da imprensa através de sua relevância, em todo o conteúdo que produzem.

E, hoje, não se trata mais de perguntar SE as empresas, marcas e personalidades irão adotar esta nova lógica de troca e relacionamento com seus públicos, mas COMO irão dominar esta nova lógica. A pergunta que elas devem se fazer: qual é meu PROPÓSITO na vida das pessoas? A clareza de um propósito de marca ou celebridade permite que elas possam pensar mais assertivamente sobre a abrangência e profundidade dos assuntos sobre os quais têm vocação ou propriedade para conversar, sendo pagas para fazê-lo ou não.

E a sua empresa/marca? Sobre o que ela vai conversar com as pessoas?

Via Meio & Mensagem

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