Em busca de rentabilidade, teles levam 4G ao pré-pago

Com receita média por usuário líquida (Arpu) de R$ 18,6 – em declínio desde 2010, quando atingiu R$ 22,7 – as operadoras de telecomunicações no Brasil têm olhado com bastante atenção para serviços que possam adicionar valor aos seus pacotes. E há um amplo mercado a ser explorado na telefonia móvel pré-paga, que representa 77,75% das 282 milhões de linhas ativas no País. Os mais recentes planos voltados para esse público partiram da Oi e Claro.

A Oi lançou na quarta-feira (15.04) e ontem (16.04), respectivamente, a tecnologia LTE, de 4G, para os planos pré-pago e controle, inclusive para o Oi Galera, voltado ao público jovem. A tecnologia estava disponível para clientes pós-pagos da empresa e Oi Conta Total desde meados de 2014.

A expectativa da Oi é que a oferta 4G no pré-pago impulsione as vendas do serviço, acompanhando a expansão do mercado de aparelhos. Atualmente, os aparelhos 4G representam 9% da base pós-paga da Oi nos 45 municípios onde a tecnologia foi ativada. Até o fim do ano, a rede 4G deverá estar presente em todas as cidades com mais de 200 mil habitantes, conforme meta estabelecida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No caso da Oi, significa levar 4G a mais 88 cidades.

“Quando os clientes usam um telefone 4G com chip 4G e experimentam dados e aplicativos, percebem uma diferença grande [comparado a 3G ou 2G]”, disse Roberto Guenzburger, diretor de produtos de mobilidade da Oi. No dia 25, a operadora pretende iniciar uma campanha publicitária para comunicar as vantagens da tecnologia aos consumidores e dar destaque ao lançamento como presente do Dia das Mães.

Com a expansão da tecnologia, a operadora volta-se mais para o crescimento da receita, da Arpu e da rentabilidade do que para o aumento da base de clientes. A prioridade, agora, é o crescimento por meio de clientes de rápido retorno, como pré-pago e controle, diz Guenzburger.

O caminho que a Oi segue com 4G no pré-pago já foi trilhado por seus concorrentes. A Claro informa que oferece 4G para esse segmento desde fevereiro de 2014; a TIM, desde agosto; e a Vivo, a partir de dezembro. A igualdade de preços para qualquer uma das gerações tecnológicas também já vinha sendo praticada pelos rivais.

Em sua nova oferta de dados em 4G para o pré-pago, a Oi cobra R$ 0,99 ao dia de uso por um acesso de 10 megabytes (MB), envio de 500 mensagens de texto (SMS) e acesso a mais de 1 milhão de pontos Wi-Fi da operadora. O valor também é válido para o Oi Galera, que conta também com um pacote semanal, de R$ 6,50, e mensal, R$ 24,90. Os planos incluem minutos de voz para celular e fixo dentro da rede da operadora, SMS, acesso via Wi-Fi e navegação isenta de tráfego nas redes sociais Facebook e Twitter.

Com sua rede 4G presente em 140 municípios de todos os Estados e Distrito Federal, a Vivo dispõe de pacotes de 250 MB, 400 MB e 600 MB para pré-pago. Os valores variam de R$ 14,90 a R$ 24,90 por mês. Outra opção é o pacote de R$ 6,90 por semana, com 75 MB para internet, 100 minutos para voz e SMS ilimitado dentro da rede Vivo.

A rede 4G da Claro chega a 95 municípios. A empresa está lançando pacotes sob a promoção Internet Turbinada. Nos planos diários isso significa 5 MB de dados de bônus sem cobrança adicional. Os pacotes pré-pagos começam em 10 MB por R$ 0,75 ao dia a 40 MB por R$ 1,75. Os novos pacotes mensais saem por R$ 11,90 (300 MB) e R$ 21,90 (600 MB). Além disso, é possível acessar Facebook, Twitter e WhatsApp sem descontar a navegação da franquia.

A cobertura 4G da TIM atinge 63 municípios. Os planos pré-pagos começam em 10 MB por R$ 0,75 ao dia de uso, a 100 MB por R$ 1,99 ou R$ 2,29 com a inclusão de 100 torpedos. A oferta de 200 MB custa R$ 2,99 ou R$ 3,29.

Segundo a Anatel, a LTE representa 2,75% das tecnologias disponíveis no país, que vão de 2G a 4G. A 3G só passou a ser dominante em dezembro; em janeiro, detinha fatia de 52,83%. Superou a 2G, que ainda é relevante no mercado, com parcela de 38,58%. Do mercado total de serviços móveis, em janeiro, a Oi detinha fatia de 17,98%, atrás da Vivo (28,65%), TIM (26,9%) e Claro (25,34%).

Via Valor Econômico